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segunda-feira, 3 de junho de 2019

Copa do Brasil: aproveitando a deixa - Parte 2: 2014

2014. Ano de Copa do Mundo. No Brasil.

Vamos falar de Copa? No Brasil?

Não! De Copa DO Brasil!

Seguimos relatando a trajetória dos times que esperaram meses, entre o fim dos estaduais e a conclusão do Brasileirão Série A, para saber que estariam no campeonato mais democrático do país.

Apertem os cintos, vamos chegar na nossa primeira parada.

Rio de Janeiro

Vagas do estadual de 2013: 4 primeiros

Botafogo, Flamengo, Fluminense e Vasco da Gama

Representante(s) na Libertadores de 2014: Botafogo e Flamengo

Vaga(s) adicional(is): Resende e Boavista

Corta pra mim! Voltamos a falar do Resende por aqui. Será que o alvinegro do Sul do Rio repetiu 2013 e conseguiu derrubar ao menos um adversário?

Vixe Maria! Mas o primeiro tinha que ser logo o Vasco da Gama?

É, foi o preço pago pelos resendenses por terem avançado uma casa na Copa do ano anterior. Ganharam mais umas posições no ranking da CBF. Aí aumentou a responsa.

Sim, acabaram desclassificados. Mas não de forma doída.

Jogaram a primeira em Manaus, em 3 de abril. Na Arena da Amazônia, que havia acabado de ficar pronta para o Mundial e precisava de uns jogos pra continuar funcionando (o que você, caro leitor, cara leitora, pensa sobre isso?). E, já velhos conhecidos do oponente, conseguiram arrancar um empate sem gols.

Na volta, 13 dias depois, a tradição cruz-maltina falou mais alto. Mas não tão mais alto assim. Só 1 a 0.

Já o Boavista, que tem como mascote o Hulk por causa de sua cor, encarou o América de Natal.

No Brasileirão, os potiguares estavam na Série B. Mas tinham uma passagem recente pela Primeira Divisão, em 2007.

Foram o pior time da Série A na era dos pontos corridos? Sim.

Mas e o Boavista, que nunca chegou nem perto da elite?

Novamente, a história pesou.

Primeiro jogo, 2 de abril. Em Saquarema, Região dos Lagos.

O América vence. Faz dois gols. Mas o Boavista consegue um. E esse gol é o cartão de embarque para a bela Natal!

O jogo lá é exatas três semanas depois. O Hulk volta a perder, agora por 2 a 0. E dá adeus. "Mas vamos aproveitar que estamos aqui e pegar aquele passeio de buggy nas dunas, né?" (Alguém aí já fez?)

Dim-dom! A telinha apitou! O próximo Estado já é esperado no guichê.

Minas Gerais

Vagas do estadual de 2013: 4 primeiros* (inicialmente, seriam os 3 primeiros e o campeão da Taça Minas Gerais, a qual acabou não tendo inscritos suficientes. Falta de quórum.)

Atlético, Cruzeiro, Tombense e Villa Nova

Representante(s) na Libertadores de 2014: Atlético e Cruzeiro

Vaga(s) adicional(is): Tupi e Caldense

Cocoricó! O Tupi também volta a dar as caras na série.

O Galo Carijó agora estreia contra o Juazeiro, Juazeiro da Bahia.



Sim, o acesso para a Série C nacional rendeu ao time de Juiz de Fora um lugar na metade de cima do ranking dos classificados para a Copa.

Por isso, teve como adversário um que nunca tinha tido destaque em nível nacional. A maior conquista do Juazeiro Social Clube (o nome é esse mesmo!) foi ter revelado o lateral da Seleção Brasileira, Daniel Alves.

Por aqui, começamos a aplicar aquela regra famosa. Tem classificação melhor na CBF? Faz a primeira partida na casa do rival? Venceu por dois ou mais gols de diferença?

Está na próxima fase. Pronto. Não tem segundo jogo.

Assim fez o Tupi, em 12 de março. Venceu pelo menor placar entre os que evitariam que o Juazeiro fosse passear na Zona da Mata mineira. 2 a 0.

O próximo desafio? "Apenas" o Fluminense.

O Fluminense de Feira, também na Bahia? Não. O original. O Tricolor das Laranjeiras.

Novamente, a regra "ganhou por dois ou mais, tá lá" valeu. Mas dessa vez foi contra o Carijó. Pois também valeu a grandeza nacional do Flu, que é desses que dispensam apresentações.

No único jogo, em 23 de abril, os dois gols necessários para não deixar o Tupi visitar a Cidade Maravilhosa (que é pertinho de Juiz de Fora!) e mais um de lambuja. Total: 3 a 0. É hora de dar tchau.

Chegando agora a Caldense. Campeã mineira em 2002, num torneio sem os grandes Atlético e Cruzeiro. Eles estavam na Copa Sul-Minas, alguém se lembra dela?

O primeiro adversário, Duque de Caxias, já não vivia o melhor momento. Tinha acabado de ser rebaixado para a segunda divisão do Rio de Janeiro. Atrás de times como Resende, Friburguense, Nova Iguaçu e Bonsucesso.

O time da Baixada Fluminense só tinha a vantagem do ranking nacional por estar na Série C do Brasileirão (e, três anos antes, na B).

Logo, não era surpresa que os de azul, branco e laranja "convidassem" a Caldense para um passeio no Grande Rio. Também conhecido como: deixá-la vencer por 2 a 0. Era 2 de abril, em Poços de Caldas.

Na volta, duas semanas depois, o pessoal que veio do Sul de Minas mostrou que não estava na Baixada só para conhecer a Reduc. O empate em 2 a 2 foi o suficiente para se garantir na segunda fase.

Afinal, que graça tem esperar o fim do Brasileirão (e o cancelamento da Taça Minas Gerais) para ir à Copa e só enfrentar um time de pouca tradição como o Duque?

Taí! Vamos agora pegar o Coritiba. Aí é um desafio. Aí é o jogo dos sonhos. É Copa do Brasil, minha gente.

E melhor ainda: o time da Veterana pode conhecer a bela e ecológica Curitiba!

30 de abril era a data esperada. "Chegou. Vamos lá!"

"Acabou o jogo. Perdemos. 2 a 0. Poxa, Coxa. Coxa, poxa."

"Mas que maldade é essa? Curitiba é uma cidade tão linda, com seus parques e praças! Por que vocês não nos deixaram passear lá?"

É a vida, né? É o futebol, né?

Rio Grande do Sul

Vagas do estadual de 2013: 3 primeiros

Internacional, Lajeadense e São Luiz

Representante(s) na Libertadores de 2014: Grêmio

Vaga(s) adiciona(is): Não houve

A Libertadores de 2014 teve o Grêmio como único representante gaúcho. Porém, no Gauchão do ano anterior, o Imortal Tricolor foi apenas o quarto colocado. Ficou atrás do rival e campeão Inter, mas também dos surpreendentes Lajeadense e São Luiz de Ijuí.

Assim, não obteve a classificação necessária para uma vaga titular na Copa. Portanto, não haveria como abrir vaga para outro time.

É, deu erro 404. Vaga adicional não encontrada.

Paraná

Vagas do estadual de 2013: 4 primeiros

Coritiba, Atlético e Paraná

Representante(s) na Libertadores de 2014: Atlético

Vaga(s) adiciona(is): JMalucelli

Ele começou como Malutrom. Virou JMalucelli. Depois, Corinthians Paranaense. E voltou a ser JMalucelli.

E como JMalucelli disputaria mais uma Copa do Brasil. Com uma pedreira logo de cara: o Vitória da Bahia.

O primeiro jogo é em 19 de março, no Ecoestádio, em Curitiba. Até o estádio é diferente, alternativo, a cara do TEM BOLA NA TUBA. Por quê? Leia aqui.

O Vitória não consegue nem vencer. Que ironia do destino. Logo o time que tem vitória até no nome (além de estar na Série A)? O jogo termina 1 a 1.

"Vamos conhecer Salvador! Batucar com o Olodum no Pelourinho! Subir o Elevador Lacerda! Passear no Farol da Barra!"

Tudo isso já seria inesquecível. Só que o Jotinha queria mais. Bem mais.

Jogaria a partida de volta em 24 de abril, mais de um mês depois do jogo de ida.

Repetiu o 1 a 1 no Barradão, casa do rival. Vamos para a decisão por pênaltis. Como diria o velho narrador: "Haja coração, amigo!"

***ALERTA: FATO CHOCANTE***

Parem as máquinas!

O JMalucelli venceu! 5 a 3 nas penalidades!

Como diria outro famoso narrador, que viria a falecer naquele mesmo 2014: não há palavras para descrever este momento.

Já tratamos de vários times com vagas adicionais que conseguiram derrubar seus adversários na primeira fase da Copa do Brasil.

Mas os derrotados eram sempre times de menor expressão. Um Caxias do Sul, um Duque de Caxias, um Juazeiro da vida.

Nunca um de mais alto escalão. Nunca um que estava na Série A nacional.

É aquele momento em que um time não precisa aparecer no TEM BOLA NA TUBA para ter algum destaque.

E que coisa linda! Rendeu boas piadas de um grande rival que também estava na elite. As quais também não precisam dar as caras aqui.

No caso, do Bahia. Que, vale ressaltar, superou o Villa Nova de Minas na primeira fase daquela Copa.

Bom, mas tem a segunda fase, não é? Nela, o Jotinha perdeu as duas para os gaúchos do Novo Hamburgo. 1 a 0 na ida, 2 a 0 na volta.

Mas fez história. Cada um faz do jeito que pode, não é mesmo?

Por 2014 é só, pessoal!

Na próxima parte, vamos ver como foi o desempenho de quem assumiu vaga guardada em 2015.

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